Páginas

Mostrando postagens com marcador arte. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador arte. Mostrar todas as postagens

sábado, 22 de maio de 2010

"O Grito" e sua possível interpretação

munch.scream



O Grito (no original Skrik) é uma pintura do norueguês Edvard Munch, datada de 1893. A obra representa uma figura andrógina num momento de profunda angústia e desespero existencial. O pano de fundo é a doca de Oslofjord (em Oslo) ao pôr-do-Sol. O Grito é considerado como uma das obras mais importantes do movimento expressionista e adquiriu um estatuto de ícone cultural, a par da Mona Lisa de Leonardo da Vinci.

A fonte de inspiração d’O Grito pode ser encontrada na vida pessoal do próprio Munch, um homem educado por um pai controlador, que assistiu em criança à morte da mãe e de uma irmã. Decidido a lutar pelo sonho de se dedicar à pintura, Munch cortou relações com o pai e integrou a cena artística de Oslo. A escolha não lhe trouxe a paz desejada, bem pelo contrário. Munch acabou por se envolver com uma mulher casada que só lhe trouxe mágoa e desespero e no início da década de 1890, Laura a sua irmã favorita, foi diagnosticada com doença bipolar e internada num asilo psiquiátrico. O seu estado de espírito está bem patente nas linhas que escreveu no seu diário:

Passeava com dois amigos ao pôr-do-sol – o céu ficou de súbito vermelho-sangue – eu parei, exausto, e inclinei-me sobre a mureta– havia sangue e línguas de fogo sobre o azul escuro do fjord e sobre a cidade – os meus amigos continuaram, mas eu fiquei ali a tremer de ansiedade – e senti o grito infinito da Natureza.

Munch imortalizou esta impressão no quadro O Desespero, que representa um homem de cartola e meio de costas, inclinado sobre uma vedação num cenário em tudo semelhante à da sua experiência pessoal. Não contente com o resultado, Munch tentou uma nova composição, desta vez com uma figura mais andrógina, de frente para o observador e numa atitude menos contemplativa e mais desesperada.

 Tal como o seu percursor, esta primeira versão d’O Grito recebeu o nome de O Desespero. Segundo um trabalho de Robert Rosenblum (um especialista da obra do pintor), a fonte de inspiração para esta figura humana estilizada terá sido uma múmia peruana que Munch viu na exposição universal de Paris em 1887.

O quadro foi exposto pela primeira vez em 1903, como parte de um conjunto de seis peças, intitulado Amor. A ideia de Munch era representar as várias fases de um caso amoroso, desde o encantamento inicial a uma rotura traumática. O Grito representava a última etapa, envolta em sensações de angústia.

A recepção crítica foi duvidosa e o conjunto Amor foi classificado como arte demente (mais tarde, o regime nazista classificou Munch como artista degenerado e retirou toda a sua obra em exposição na Alemanha). Um crítico considerou o conjunto, e em particular O Grito, tão perturbador que aconselhou mulheres grávidas a evitar a exposição. A reação do público, no entanto, foi a oposta e o quadro tornou-se em motivo de sensação. O nome O Grito surge pela primeira vez nas críticas e reportagens da época.

Munch acabou por pintar quatro versões d’O Grito, para substituir as cópias que ia vendendo. O original de 1893 (91x73.5 cm), numa técnica de óleo e pastel sobre cartão, encontra-se exposto na Galeria Nacional de Oslo. A segunda (83,5x66 cm), em têmpera sobre cartão, foi exibida no Munch Museum de Oslo até ao seu roubo em 2004. A terceira pertence ao mesmo museu e a quarta é propriedade de um particular. Para responder ao interesse do público, Munch realizou também uma litografia (1900) que permitiu a impressão do quadro em revistas e jornais.

Interpretação do quadro

Vemos ao fundo um céu de (cores quentes), em oposição ao rio em azul (cor fria) que sobe acima do horizonte, característica do expressionismo (onde o que interessa para o artista é a expressão de suas ideias e não um retrato da realidade). Vemos que a figura humana também está em cores frias, azul, como a cor da angústia e da dor, sem cabelo para demonstrar um estado de saúde precário. 

Os elementos descritos estão tortos, como se reproduzindo o grito dado pela figura, como se entortando com o berro, algo que reproduza as ondas sonoras. Quase tudo está torto, menos a ponte e as duas figuras que estão no canto esquerdo. Tudo que se abalou com o grito e com a cena presenciada está torto, quem não se abalou (supostamente seus amigos, como descrito acima) e a ponte, que é de concreto e não é "natural" como os outros elementos, continua reto.
A dor do grito está presente não só no personagem, mas também no fundo, o que destaca que a vida para quem sofre não é como as outras pessoas a enxergam, é dolorosa também, a paisagem fica dolorosa e talvez por essa característica do quadro é que nos identificamos tanto com ele e podemos sentir a dor e o grito dado pelo personagem. Nos introjetamos no quadro e passamos a ver o mundo torto, disforme e isso nos afeta diretamente e participamos quase interativamente da obra.

Há também outra interpretação para o quadro "O Grito". Na verdade, Munch colocou no quadro o desespero de pessoas de uma ilha onde ocorreu um Tsunami e uma erupção vulcânica (essa ilha era um ilha vulcânica).É por isso que podemos ver o céu todo laranja, representando a erupção vulcânica, e o rio, representando o Tsunami.

O Não-lugar de Clarice

Clarice não está. Bati na sua porta muitas vezes e sempre ecoava do outro lado a mesma resposta: Clarice não está. Fiquei preocupado com esta ausência. Queria entregar-lhe em mãos uns desencontros, uns textos que ao longo da vida havia escrito. Queria entregar-lhe algumas outras coisas: algumas lembranças, algumas gotas de orvalho estancadas na pedra, uma lágrima cristalizada por cima de uma notícia triste do jornal, alguns desejos, despejos e outros arrependimentos. Queria, quem sabe, entregar-lhe outras palavras que talvez nem mesmo existissem. Fossem só ficção. A palavra ficção é uma ficção? E a palavra amor? Como é que se escreve? A procurei desde cedo por isso.
Mas, sempre voltava de sua porta com a mesma resposta. Sempre, sempre, sempre. Como um eco surdo ou como uma voz diáfana por onde a claridade de sua voz, voz clariceana, deixava entrever palavras-luz, palavras-setas que perfuravam imagens, pensamentos e quebravam conceitos.
Foi então que comecei a perceber o não-lugar de Clarice. Ali aonde ela não estava deveria sua palavra advir. O não-lugar de Clarice era a palavra. Clandestina palavra. Descobria assim, a cada vez e aos poucos, que não adiantava procurá-la lá aonde eu pensava encontrá-la. Pois este outro lugar era sempre o lugar da invenção. E, nesta época, eu ainda era muito jovem para perceber isto que a cada dia descobria sobre ela. Ainda não tinha dezoito, mas ela já habitava em seu não-lugar. E eu a amava justamente por isso. Eu é que por muito tempo ainda insisti em querer dar um lugar para ela. Para ela em mim. Minha atopia.
Com o passar dos anos fui descobrindo que me era inútil querer encontrá-la, mas sempre que o desejo tornava-se insaciável - e isto era muito frequente -, corria para minha estante e fazia com que ela me achasse. Pois a cada vez e sempre e com maior força e intensidade, eu estava lá dentro daquelas páginas. Cada vez que eu me perdia em labirintos de mim eu quase me dava ao luxo de me reencontrar, atônito, entre Gê Agás, Lóris, Ulisses, Macabéias, Joanas.
Como era possível um não-lugar? Como era possível uma "terceira margem" clariceana? Até hoje ela me deixa num grande desassossego d'alma com este não-lugar. Até hoje não encontro respostas para ela. Então, como que querendo me consolar e atribuir quase que ao acaso (se houvesse) a resposta para todas as perguntas, abro uma página e leio: "a repetição de um enigma é a repetição do enigma. O que És e a resposta é: ÉS. O que existes? e a resposta é: o que existes. Eu tinha a capacidade da pergunta, mas não tinha a de ouvir a resposta."
Talvez tenha sido por isso. Já faz tanto tempo que nem lembro como tudo começou. Talvez muito amiúde e, com todo cuidado, é que afirmo com a emoção aos soluços este intraduzível desejo de ouvir. Escutar estes não-lugares. Quem sabe?

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Artistas locais expõem terror em quadrinhos

O clima de suspense e terror toma conta do Centro de Articulação e Apoio da Juventude, bem mais conhecido como Casa da Juventude. A partir desta terça-feira (18) até sexta (21), o espaço abrigará a exposição 'Quadrofobia II', que traz como tema quadrinhos de terror.


Os artistas Luiz Cláudio, Leandro Mellem, Marcelo Silva, Anderson Bezerra, Ismael Ralado e Faeli Chaves transformaram a sala multiuso da instituição em galeria de arte para expor a segunda edição da exposição, uma experimentação da Associação Cultural Ponto de Fuga. 'A proposta é ambientar a sala em penumbra e dar um ar de suspense e terror para expor ao público desenhos em quadrinhos em preto e branco, em formato A3, contendo diversas temáticas sobre histórias de terror em quadrinhos, entre elas a arte regional que fala dos mitos e lendas da Amazônia', adianta Luiz Cláudio, membro da associação.


Além da exposição, durante todos esses dias, a partir das 18h, acontecem exibições de vídeos seguidas de bate-papo com os participantes a respeito das temáticas audiovisuais apresentadas. Na terça-feira (18) a exibição é do vídeo 'Quadrinhos de Terror no Brasil', na quarta (19) 'O Estranho mundo do Zé do Caixão', e quinta (20) 'Humor Negro nos Quadrinhos'. Para encerrar, na sexta (21), tem show com a banda Lapidação Poética, que leva para a Tenda da Juventude o pop rock inspirado nos períodos literários, que vão desde o Renascimento ao Modernismo, com estilo pós-moderno, às 18h.


Oficina
Paralelo à exposição Quadrofobia II, a Casa da Juventude realiza a oficina de desenho básico, das 8h às 12h, com 25 jovens já inscritos da Região Metropolitana de Belém. A oficina tem como instrutor Luiz Cláudio, que há 18 anos se voltou para a arte educação. O objetivo da oficina é propiciar aos jovens a experimentação dessas linguagens, proporcionando o autoconhecimento, a construção de identidade e a apropriação dos bens culturais.


Serviço
Exposição Quadrofobia II, de 18 a 21 de maio, em horário comercial. Exibição de vídeos e bate-papo, às 18h. Entrada franca. A Casa da Juventude fica na Avenida Gentil Bittencourt, 694, ao lado do Centur. Mais informações: 91 – 3223 3437.


Redação Portal ORM